Prata da Casa – Dada Attack

De todas as “pratas da casa” até aqui, o  Saulo Dada Attack Pais é um dos poucos DJs e produtores com que trabalhamos na última década que pode realmente dizer que estava no Trackers desde o começo! Ou, mais precisamente, um pouco antes da nossa própria inaugração! Nos primeiríssimos dias de trabalho duro e adaptação gradual entre o deslumbre e o  trauma, ao centro histórico de São Paulo, convidamos alguns amigos do finado forum do RRaurl para uma reunião onde colocaríamos as máquinas pra brigar! Vieram o Alex Strunz e o Rikinho Broken Bit com suas Electribes valvuladas, o engenheiro de som Joc, formado na California, o percussionista Nilo Camargo do interior de São Paulo (isolado numa sala improvisada com microfones) e o Saulo, em início de carreira, tímido mas muito talentoso. Esse video histórico, registra a primeira vez em que se reuniu alguém pra fazer música aqui desde que nos instalamos – e se você não reconheceu a sala, é porque hoje é  onde fica o balcão do bar do lounge do segundo andar!

O Saulo sempre me impressionou pelo talento em diversos campos – arquiteto, artista plástico, músico, circuit-bender auto-didata! Nos primeiros meses do Trackers se tornou uma figura constante por aqui, apresentando o segundo workshop da escola e viajando conosco para uma apresentação conjunta no primeiro festival FAD de BH em 2007.

Depois disso, a(s) carreira(s) dele deslancharam, com lançamentos e tour na Europa (as faixas acima, Clearly Imply e o remix do Gui Boratto), remixes, festivais e parcerias. Tentamos cobrir um pouco disso nessa conversa:

Jounal – OI OI! Eu ia começar brincando com você sobre ser seu fã desde que você era underground… mas depois achei umas entrevistas suas e todo mundo cita aqula coletânea New Faces of Eletronika Brazuka que veio encartado na saudosa DJ World! Acabei de encontrar uma cópia por R$ 80 no Mercado Livre!

Dada Attack – Hahaha caramba! Da hora! Ainda tenho o meu guardadinho!

J – Ganhei o meu junto com a revista – eu colaborava com eles na época! Lembro de receber numa tarde em casa pelo correio –  sonzera! Que ano foi aquilo?

DA – Tesão mano! Acho que foi em 2000.

J – Novinho na foto!

DA – É num tinha nem barba… Não que eu tenha muita hoje! (risos)

J – Mas voce só começou a usar o Dada Attack bem depois, né?

DA – Isso, foi em 2005! Uns 6 anos depois.

J – E depois de mais de uma década, voce continua um dadaísta?

DA – A gente tenta né, vai colocando um pouco de Dada aonde dá.

J – Eu achava que aquela drum machine Alesis que você customizou com aquela capa de botões que deixou o equipamento parecendo uma versão eletrônica do Pinhead do Hellraiser, era dadaísmo conceitual puro – cada glitch era aleatório, mas voce sampleava e mandava pro abeton e pro P.A. assim mesmo, qualquer que fosse o som que produzisse.

IMG_1401

DA – Concordo. Acho que muito da arte glitch e hacking tem uma inspiração lá atrás no Dadaísmo! Esse fator aleatório, descontrolado.

J – O que você esta fazendo nesse departamento do Circuit Bending aplicado ao som?

DA – Sempre que posso faço um novo bending, gravo e uso nos meus trabalhos. Esse ano fiz um novo SK-1, que gostei do resultado e agora fazendo de um mixer de vídeo, para uns glitchs em vídeo. Mas sempre ligo e uso os antigos, como cada vez dá um erro diferente nunca termina de gravar! (risos)

J – Lembro que vc comentou sobre glitchs em video quando deu seu workshop no trackers em 2006! Disse que era outra voltagem, que era perigoso… é disso que você tá falando?

DA – Não é um bending em um mixer que usa fonte. Bom… tem perigo se não mexer na fonte, estava falando que era perigoso mexer com televisores de tubo, acumulam muita energia e são perigosos mesmo. Tudo que vai ligado via fonte ou a pilha é tranquilo. Baixa voltagem. Se for ligado direto na tomada, não dá pra ir colocando a mão! (risos). Vou começar a soltar umas gravações pra baixar no site logo mais. E também pra galera usar como sample.

J – Notei que o seu soundcloud foi atualizado com uns trechinhos de sons novos! Voce foi autodidata nas experiencias com bending?

DA – Sim autodidata e com ajuda de vídeos, explicações em blogs, fóruns, etc. Graças a outras pessoas compartilhando conhecimento.  E também conheci o trabalho e os livros do Reed Ghazala, que cunhou o termo circuit bending

IMG_1406

Saulo no Trackers em 2007

J – O que voce esta ensinando agora?

DA – Tenho feito bastante oficinas com a dadalab que é um laboratório de tecnologia e arte em que desenvolvemos kits educacionais e oficinas práticas, algums ligadas a audiohacking e construção de sintetizadores caseiros simples e outros geradores de som. Também dou oficinas de fabricação digital e impressão 3D.  Estamos agora no Sesc Santo André aos sábados até o fim de setembro com esta oficina… E também outras que adoro são para criancas de 7 a 99 anos, em que montamos nossos kits de Robôs e Invenções que fabricamos com cnc e impressão 3D para crianças aprenderem na pratica tecnicas, conceitos e exercerem a criatividade.

img_3039

DA – Tambem tenho feito alguns trabalhos de arte, misturando esse universo maker com o da música e traquitanas que gosto, está exposto agora no Sesc Sorocaba um icosaedro gigante que  fiz com impressão 3D e várias traquitanas fazedoras de som.

– Me diz uma coisa – sem polemizar, mais por identificação – seu som tem mais a ver com a Kompakt ou com a Paunchy Cat?

DA – Acho que ambos possuem um catálogo tão diverso e com tantos artistas que gosto e me indentifico, que acho que tenho a ver com os dois. Admiro bastante o trabalho deles.

J – E qual foi remix mais desafiador pra você?

DA – Gostei bastante de trabalhar no remix da Stela Campos para a música I Walk Alone, achei desafiador, pois o material da produção origiral era super bem produzido e a Stela tem uma voz linda. E para mexer em um trabalho que já está bem feito e bem definido foi preciso tomar coragem para mudar as coisas sem se apegar e sem medo de arriscar mexer em elementos delicados como a voz.

– É o meu favorito! Mas nunca me dei ao trabalho de procurar a original, vou conferir!

DA – Escuta sim! O album original que chama Dumbo é lindo, bela produção e criação com personalidade.

J – Eles que te procuraram? Você que se ofereceu?

DA – Foi um projeto de remixes capitaneado pelo Erico Theobaldo.  Quando ele me passou, achei o album finíssimo!

J – To ouvindo o original, muito classe! Genial seu remix, bem diferente!

DA – Pô, obrigado hermano! Sempre lembro como você tinha apoiado aquele remix que eu tinha feito pro Panda Team faz temmmpo! Que você tinha dado a maior força pra mim e curtido. Por essa e por tantas outras obrigado sempre mano!

J – Panda Team!!! Preciso reouvir isso!

Edit! 

Mas que vacilo! Nem lembrei de mencionar que ele estava de volta aqui na festa de 7 anos do Trackers, abrindo pra ninguem menos que o Afrika Bambaata!

45620_496195740462870_1956041734_n

Niki Nixon

One reply on “Prata da Casa – Dada Attack

  • DaDa Attack

    Nossa querida Trackers, essa instituição que completa 10 anos e é responsável por incentivar incontáveis artistas, projetos, festas, exposições, cursos, etc. Um privilégio ter um lugar assim na cidade, independente, bem intencionada e livre. Lá o que importa é o conteúdo e as pessoas, trabalhos feitos com amor, com objetivos construtivos e coletivos. Sem ego, sem rotular, sem preconceitos, sem patrocínios, sem apoio municipal, estadual ou federal, mas livre e democrático, sobrando talentos empenhados em sair da mesmice. Lá dei meu primeiro workshop de Circuit bending, fizemos o coletivo de lives, festas, abri para o Afrika Bambaataa, djsets, lives, artistas e muitos amigos que conheci lá. Por essas e tantas outras muito obrigado! Parabéns Niki, Rubinho e todos envolvidos! Viva Trackers!

    Responder

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quatro × 5 =