Pioneer anuncia o novo XDJ-1000MK2 para setembro

Charles H. Duell foi o diretor do Departamento de Patentes dos Estados Unidos no final do século XIX, que ficou notório pela surpreendente falta de visão pro cargo por supostamente ter afirmado que “Tudo que poderia ser inventado, já foi inventado”. Mas eu sempre entendi o que ele quis dizer. Na época o steampunk era condição de vida e já estavam se esgotando as possibilidades do que se podia fazer com uma máquina à vapor. Charles não imaginava as revoluções tecnológicas por vir porque a pesquisa com radioatividade ainda não gerava patentes e a eletrônica ainda estava no campo da teoria. Pra ele, era tudo mais do mesmo. Releituras das mesmas máquinas à vapor.

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Na semana passada a Pioneer anunciou o lançamento do seu novo modelo de CDJ, o XDJ-1000MK2, um novo produto que escancara a obsolescência programada do seu CDJ mais caro, o CDJ 2000 Nexus – CDJ-2000NXS2, um equipamento exigido por DJs top, por conta do display touch screen e da jog wheel de 7 polegadas. Adaptaram um produto caro (sem nenhuma taxa de importação, sai em torno de R$ 5000) à famíla MK, que emula o torque dos toca-discos de vinil. Mas… porque não fizeram isso antes, no próprio Nexus? Posso até imaginar a reunião do marketing na matriz em Tokyo:

“Não intelessa se é igual a Nexus 2000, coloca um Track Filter no blowser, que ocidental idiota compla, né?

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To sendo injusto com uma marca que só te deu alegrias? Pois peço que os entusiastas me desculpem, mas o fato é que a tecnologia que emula o torque de uma MK2 num CDJ já estava presente no modelo CDJ 1000, de 2003. Esse equipanento corria a música frame à frame, com a mesma tecnologia do jog dial das Technics SL dos anos 80.

Então foi só mudar a embalagem e dar uma sigla invocada para um produto que de novo só tem o preço, e o Nexus2000, top de linha, se tornou obsoleto.

O video oficial com esse setup monstro, é de babar! Quem não queria ter 4 desses e uma controladora ligados num mixer? Se por outro lado, deixarmos a razão falar mais alto que a ostentação, não dá pra se deslumbrar tanto assim com as poucas mudanças desse novo modelo, em especial no software, que teve mudanças menores no browser, além de um teclado QWERTY na touch screen que busca as músicas com apenas algumas letras e o programa completa a busca – incrível! Igual ao Google nos últimos 15 anos!

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Que fique claro que não estou depreciando o produto, uma ferramenta completa que aparentemente esgota o que um CDJ pode oferecer. A crítica aqui é sobre o que é vendido como novo e o que é realmente uma novidade. Se formos tecnicamente bem severos, as upgrades que realmente significaram uma necessidade de novo equipamento foram as que implemtaram MIDI, USB e a capacidade de fazer scratches. O display com uma tela grande, representação gráfica das ondas, vários pontos de Cue, também configuravam um produto novo, deixou os modelos antigos sem graça. Mas e a partir daqui? Vão justificar cada pequena mudança no software ou nos leds dos botões como fator de obsolescência dos modelos top atuais?

Se não se convenceu ainda que estão trocando 6 por uma meia dúzia mais cara, segue um comparativo em inglês, mas muito claro mesmo sem legendas, entre o CDJ 2000 NXS e o novo modelo XDJ-1000MK2:

Veredito final – picaretagem do marketing, mas ainda assim a Ferrari do CDJs, quero muito tocar com um par desses o quanto antes!

Niki Nixon

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