De Graça! Single novo do Getter

A popularidade crescente da EDM comercial irrita tanto os puristas da música eletrônica que até da pra voltar a se falar de outro gênero que foi gradualmente execrado por ter se tornado o som da moda no começo da década – o polêmico Dubstep. Não me refiro à sua versão original britânica, é claro, que trazia as referências explícitas de gêneros consagrados como o UK Garage e o Drum & Bass, especialmente nos baixos, mas na sua reinterpretação americana, com seus elementos de estilos mais comerciais como o R&B e o Metal – o famigerado Brostep (termo tão repugnante quanto brojob).

Como sempre procuro ver o aspecto positivo de qualquer fenômeno musical, pode-se dizer que foi a primeira vez que um estilo de dance music eletrônica dominou as paradas norte americanas, com Skrillex recebendo Grammy Awards em 2011 e mais recentemente invadindo o imaginário pop mundial com uma parceria com Diplo no projeto Jack Ü, que admite até a assustadora participação de Justin Bieber nos vocais para dominar o topo das paradas mundiais e garantir o headline em todos os festivais gigantes de música do planeta – e claro, faturar mais um Grammy em 2016.

Minha relação com o gênero sempre foi mais aberta por conta do Trackers, que tem de acompanhar o que os alunos estão procurando na escola e respeitar as escolhas dos promoters e DJs nas festas. Sempre admirei a inovação tecnológica que o estilo promoveu, muito por conta do próprio Skrillex e de Datsick, que foram beta-testers e desenvolveram presets para inúmeros softwares como o Massive – e reinventaram o wooble bass, além de criar levadas com frequências médias histéricas que fizeram todo o público que dava pulão ao som de  nu metal no começo do século entender que as guitarras elétricas estavam se tornando obsoletas.

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Tudo isso levado em consideração, temos que admitir que todos os estilos musicais têm a sua cota de artistas talentosos, que estão além do rótulo. No caso do brostep, um dos produtores que sempre atraiu minha atençao foi o califotniano Getter, que no começo de carreira, quando assinou com o selo Firepower do Datsick, me pareceu que ia mostrar apenas mais do mesmo som americano de sempre, mas que me convenceu quando assinou com o conceituado OWSLA  do Skrillex, que não se limita ao dubstep, com ótimos lançamentos de electro e bass house entre inúmeros releases comerciais demais. O EP Allegiance de 2015 podia não renovar muito o gênero, mas trazia faixas poderosas como Head Splitter, que além de uma levada nervosa e timbres deliciosos, foi ilustrada com um dos melhores e mais psicodélicos videoclips da história da música eletrônica:

O sucesso da faixa e do clip fez com que Getter se tornasse não apenas um dos nomes mais relevantes e produtivos do brostep, mas também um dos produtores mais cotados para remixes – de Jauz, Pegboard Nerds, Banyox e foi responsável até por uma das versões mais underground dos remixes do famigerado Jack U

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Mas o destaque desta matéria é seu novo trabalho, Wat the Frick. O novo EP já foi anunciado para Outubro, para coincidir com a tour americana, mas o teaser foi a faixa gratuita de mesmo nome. Tem todos os elementos clássicos do brostep, mas a levada e a melodia são mais direcionadas para um dancefloor menos radical, com passagens mais suaves entre as tensões e os drops – mais pista e menos pulão:

Confira mais informações sobre datas de turne, merchandise e lançamentos de faixas no hotsite dedicado ao lançamento – com link direto para download.

Niki Nixon

 

 

 

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